January 28th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Manuel Bandeira, Estrela da vida inteira
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, p. 113
O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não […]
January 24th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Sobre literatura
Este texto foi escrito para a revista Outros Baratos, do sebo Baratos da Ribeiro, distribuída na FLIP de 2006 e também no próprio sebo.
Quem acha que a poesia não tem utilidade, ou que é um fim em si mesma também deve achar que o ser humano não tem alma. Ler um livro de poemas […]
January 23rd, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Sobre literatura
Acho que muita gente tem a mesma impressão que eu: o volume do falatório a respeito de sexo na imprensa e em livros é inversamente proporcional à quantidade e sobretudo à qualidade do sexo que é feito. Se tomarmos a parte da qualidade, temos uma analogia com a situação atual da poesia: nunca houve tantas […]
January 21st, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
A elegia obsessiva: I
Bruno Tolentino
Anulação & outros reparos (edição definitiva)
Rio de Janeiro: Topbooks, 1998
Embriagado de luz, tão à vontade
no barco de Odisseu quanto o velame,
ouves soprar as flautas de um enxame
que é mera tentação, pura metade
de uma meia-ilusão… Mas não te alarmes,
meu coração, o vento vem mais tarde,
Ítaca vai voltar: Circe e seus charmes
conseguem inebriar […]
January 14th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Octavio Mora. Ausência viva.
Rio de Janeiro: Livraria São José, 1956
Como estátua de vento, pedra gasta,
sopra Ifigênia sempre na memória,
e estamos nela sem escapatória
como o tempo nas pedras: só se afasta
(devido à semelhança com o vento
de seu todo), para estar em nós, aérea,
desprovida de contornos, em matéria
capaz de dar volume ao pensamento
que surge do que some: […]
January 10th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Sobre literatura
Harold Bloom disse que ele é “o maior poeta inglês vivo”, mas Geoffrey Hill aparentemente não recebeu mais que três menções em papel no Brasil – epígrafes nos últimos livros de Bruno Tolentino e uma figuração numa lista de poetas contemporâneos da língua inglesa em uma edição da revista Poesia Sempre.
Não é de admirar: com […]
January 7th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Fernando Pessoa
Cancioneiro, #120
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de […]
January 6th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Tradução: verso
Por Geoffrey Hill. Tradução de Pedro Sette Câmara.
Sebastian Arrurruz: 1868-1922
I
Dez anos separados. Que fazer?
Os dias seguem sua marcha, uma rotina
que, clemente, não chega a interessar ninguém.
Como um disciplinado estudioso,
junto os caquinhos, além da conjetura,
perfazendo seqüências de dor pura;
e é justo dar valor à habilidade
fria, assim como às coisas consertadas:
os adeuses que tanto ensaiei e esqueci.
COPLAS
i
“Ninguém […]