June 24th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Luís de Camões
Aquela cativa
que me tem cativo,
porque nela vivo
já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
em suaves molhos,
que para meus olhos
fosse mais fermosa.
Nem no campo flores,
nem no céu estrelas
me parecem belas
como os meus amores.
Rosto singular,
olhos sossegados,
pretos e cansados,
mas não de matar.
Uma graça viva,
que neles lhe mora,
para ser senhora
de quem é cativa.
Pretos os cabelos,
onde o povo […]
June 17th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Lawrence Salaberry, O sonho de Septimus e outros poemas (inédito).
Quem falou que esta entrada
Arranha por dentro a tua folia,
Aranha, que me conceda de tirar
A fotografia, não de ti —
De tua labuta de tramar entranhas,
Saídas, artimanhas
No ramo orvalhado da manhã.
Quem falou do teu têxtil toque,
Horas a fio,
Malhas que manhã alguma rompe
E sol solerte de rocio esvaza,
Há […]
June 10th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Bruno Tolentino. As epifanias, I. A imitação do amanhecer. São Paulo: Globo, 2006. p 31
Provavelmente porque o ser se intranqüiliza
de já não ser o que ia sendo; intensamente,
porque as fogueiras de um martírio impenitente
são seus triunfos, seus troféus cheios de cinza;
e finalmente porque tudo o que agoniza
quer promulgar, solenizar o impermanente,
o coração, naquele fundo ambivalente
da […]
June 6th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Sobre literatura
Publicado originalmente em Pequena Morte.
Nascido no Rio, vencedor do finado prêmio Nestlé em 1994 por Que fim levou Brodie?, autor de dois romances publicados pela Companhia das Letras - Brás, Quincas & Cia (2002) e Memorial de Buenos Aires (2005) -, Antonio Fernando Borges destaca-se por conseguir, em seus livros, misturar a reflexão sobre a […]
June 4th, 2007 by
Pedro Sette Câmara in
Domingo com poesia
Bruno Tolentino, Os deuses de hoje, p. 220
Vou viver na orla da esquizofrenia:
de um lado o universo,
de outro a Bahia.
Ah, ser como o verso
que essa gente escreve
no sangue,
no mangue
dessa vida breve…
Viver assim, de leve,
sem ligar pra nada,
sem querer mais nada,
sem pagar entrada
no vago universo,
e esperar que anoiteça ou que amanheça.
Péssimo hábito esse de viver
com tudo […]