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Monthly Archive September, 2007

Os bons sempre vi passar

September 30th, 2007 by Pedro Sette Câmara in Domingo com poesia

Luís de Camões
Os bons sempre vi passar
no mundo graves tormentos;
e, para mais m’ espantar,
os maus sempre vi nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau; mas fui castigado.
Assim que só para mim
anda o mundo concertado.

Leitura e comentário: 3m56s

Na semana passada completei 40 domingos com poesia, e aproveito este 41o para inaugurar uma […]

O rio

September 23rd, 2007 by Pedro Sette Câmara in Domingo com poesia

Manuel Bandeira, Estrela da vida inteira.
Ser como o rio que deflui
silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
como o rio as nuvens são água,
refleti-las também sem mágoa,
nas profundidades tranqüilas.

Leitura e comentário: 1m40s

Este é um dos poemas de Bandeira que mais se encontra […]

Cães a ladrar, que o caçador atiça

September 16th, 2007 by Pedro Sette Câmara in Domingo com poesia

Dante Alighieri / Tradução de Jorge Wanderley
Sonar bracchetti, e cacciatori aizzare…
Cães a ladrar, que o caçador atiça,
lebres largando, todo mundo aos gritos,
e o galgo que à coleira vai restrito
e escapa e por declives se encarniça,
são alegria, creio, que enfeitiça
o coração que é livre e sem conflito!
Mas eu, pensando amores, vou conscrito
de um amor recusado na […]

A uma feíssima

September 9th, 2007 by Pedro Sette Câmara in Domingo com poesia

Pero de Andrade Caminha (152?-1589)
Feia se falas és, feia calada,
ouvindo feia, feia respondendo,
feia branda pareces, feia irada,
negando feia, feia prometendo,
feia toucada, feia destoucada,
com frio feia, feia em calma ardendo,
feia contente, feia descontente,
em tudo sempre feia a toda a gente.

branda = calma (adjetivo)
toucada / destoucada = com o cabelo arrumado / desarrumado
calma (substantivo) = calor
Leitura e […]

Uma arte

September 2nd, 2007 by Pedro Sette Câmara in Domingo com poesia

Elizabeth Bishop. Tradução de Paulo Henriques Britto. O iceberg imaginário e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 309
A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte […]